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terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Mendoza - Caminos de los Aceites

Não canso de elogiar Mendoza. Ela não é apenas um lugar com paisagens deslumbrantes, estações de esqui e  história...Ela é uma cidade que também tem cores, aromas e muitos sabores. Eu sempre soube que ela é a capital argentina do vinho mas, o que muitas pessoas desconhecem é que aqui também está uma das maiores regiões produtoras de azeite de oliva no país.
Depois que visitamos as duas vinícolas das quais falei no post anterior, foi a vez de conhecermos uma fábrica de azeite e seu processo  de fabricação.
A guia que nos acompanhou pela fábrica foi bastante didática e usou termos simples de modo que todos nós entendemos perfeitamente as explicações acerca do processo de extração do azeite e por esse motivo considero que a visita foi muito proveitosa.
                            
Creio que seja do conhecimento de todos os benefícios do azeite para a nossa saúde, bem como ele é usado desde sempre pelo homem mas, o que eu desconhecia é que esse néctar tem tantas semelhanças com outro néctar divino que também é considerado  elixir da longevidade. Vinho e azeite embora sigam por caminhos paralelos, possuem muito mais características em comum do que se possa imaginar.
1) Tanto o vinho quanto o azeite são extraídos pelo processo de fermentação das frutas ( uvas e azeitonas)
2) Ambos podem ser produzidos com uma única variedade de frutas (é o que chamamos de varietal, no caso dos vinhos) ou  também podem ser produzidos com diversos tipos de frutas (nesse caso é o que chamamos de corte)
3) O azeite assim como o vinho, possui uma denominação de origem que o classifica quanto a qualidade (é o que chamamos de DOC...Essa denominação pode variar, de um país para outro)
4) Ambos possuem uma ciência que estuda as suas propriedades. Enologia é a ciência que estuda os vinhos e Oleologia é a ciência que estuda o azeite e suas propriedades.
                          
                                         
Foi, literalmente, uma delícia visitar essa fábrica e aprender algumas coisas a repeito do azeite de olivas assim como também, foi super agradável passear sob as sombras das Oliveiras, até porque o calor nesse dia era escaldante.
Interesante também, foi visitar o museu do azeite que a fábrica Laur mantém em sua propriedade mas o auge da visita, foi mesmo o momento da degustação.Simplesmente delicioso saborear aquele azeite, servido com pedacinhos de pão e tomates secos!
                                            
Fizemos esse passeio na mesma Van que nos levou às vinícolas porém, antes de viajar pensei em me programar para fazer o percurso de bicicleta pois, vi que existem empresas especializadas nesse tipo de serviço(  inclusive se você beber muito vinho, eles vão lá buscá-lo)mas acabei desistindo por não ter conhecimento do grau de dificuldade que teríamos de enfrentar e como já estávamos na estrada ha bastante tempo  e ainda era apenas a metade da viagem, preferi não arriscar porém, quem sabe, um dia farei. Esse já é um motivo para voltar a Mendoza.
                           

Mendoza - Caminos de los Vinos

Fazer o passeio pelo circuito dos vinhos foi um  grande prazer e um sonho realizado pois, segundo alguns especialistas, essa região de Mendoza já é considerada como uma das melhores regiões do mundo na produção de vinhos, especialmente o famoso e delicioso Malbec, uva que se adaptou perfeitamente  a esse solo e que já se tornou patrimônio nacional, por assim dizer..Rsrs.
Nosso passeio teve um custo de 50 pesos por pessoa, começou às 14h e se estendeu até as 18h. Durante o percurso visitamos duas vinícolas (bodegas) de diferente tipos e uma fábrica de azeite de olivas.
A primeira vinícola que visitamos foi a Weinert, cuja produção em grande escala é totalmente feita em processo industrializado.
Lá, um guia nos levou às instalações da mesma e explicou de maneira bem sucinta todo o processo de fabricação e depois disso, fomos direto para a sala de degustação, uma vez que os vinhedos ficam longe da fábrica.
                             
                                       
Nessa bodega degustamos apenas três tipo de vinhos: Um tinto (malbec), um rosê e um sauvignon blanc que eu adorei  e cuja foto mostro logo abaixo. E olha que eu prefiro sempre os tintos mas....Esse realmente me conquistou, melhor dizendo, me arrebatou!                                                                              
                           
                           
Depois seguimos, nosso trajeto rumo à outra bodega. Essa é bem menor, produz bem menos em qunatidade porém, já foi premiada por diversas vezes e tem qualidade internacional. Além disso, todo o seu processo é feito de maneira artesanal e suas videiras são irrigadas com água do degelo da  Cordilheira dos Andes.Seu nome na região é uma grife: Carmine Granato. Portanto, não espere encontrar sus vinhos nas prateleiras do supermercado.
Lá também fomos recebidos por um guia que de modo semelhante nos mostrou todas as instalações da bodega e comentou sobre o processo, como era feito no passado e o que mudou hoje, nos direcionando ao seu maquinário  antigo que forma um museu a céu aberto, no pátio da vinícola. Um lugar bastante agradável!
Depois de apreciarmos as peças do museu, fomos convidados a passar para sala de dgustação, onde mais um vez degustamos apenas tês tipos de vinho, sendo que depois da degustação nos foram apresentados diversos tipos de rótulos.
                          
                          
                          
Se você me perguntar se eu gostei de fazer esse passeio eu repondo que sim, até porque foi a relização de um sonho, como falei no começo desse texto. Eu gostei sim, mas...Sinceramente se for para escolher entre esse circuito e o Roteiro da Uva e do Vinho, na Serra Gaúcha, eu fico com o roteiro brasileiro. Achei o passeio da Serra Gaúcha muito mais completo, desde o tempo que ficamos em cada vinícola, as explicações técnicas mais detalhadas e principalmente a degustação bem mais orientada, com maior número de vinhos, o que nos permitiu escolher melhor o rótulo que desejávamos levar para casa, mesmo não tendo vinhos no mesmo nível, o que é totalmente discutível.
Ainda assim, digo que vale a pena conhecer pois, só temos parâmetros para comparação quando conhecemos os dois lados e além disso, opinião é algo pessoal, muito pessoal.
                                               
                               

Mendoza - A Capital Argentina do Vinho

Quando eu estava fazendo o roteiro da nossa viagem, a idéia inicial era ir até Ushuaia mesmo porque já estaríamos em El Calafate e lá é o ponto de partida para o famoso fim do mundo.Comentando sobre isso com a minha filha Fê, ela me fez perceber que Mendoza seria mais interessante para mim, por conta da minha paixão pelos vinhos; foi assim então que mudei o roteiro e fomos parar na cidade de Mendoza, que é capital da província de mesmo nome, a quarta maior cidade argentina e, posso garantir que não poderia ter feito escolha melhor.O lugar superou em muito as minhas expectativas e se eu pudesse escolher uma cidade argentina para morar, essa cidade certamente seria Mendoza.
Apesar do calor que estava fazendo no período em que ficamos por lá, a sensação de frescor que temos ao caminhar pelas ruas é enorme tendo em vista que a cidade é absolutamente arborizada, não apenas em sua área central mas em todas as ruas, inclusive em seus arredores São árvores gigantes nos dois lados das ruas e a distância entre elas é de cerca de 2m , o que cria um túnel natural super agradável. Eu nunca tinha visitado uma cidade tão arborizada e com tantas praças (sem fiações superiores) e parques quanto Mendoza.
A cidade foi inteiramente planejada, suas ruas e calçadas são extremamente largas e não se observa por aqui mais do que 1ou 2 edifícios  com mais de 5 andares.
                         
                         
Como nem tudo é perfeito, Mendoza é uma área altamente suscetível a terremotos (a região sofre constantes abalos sísmicos) e foi um deles que em março de 1861 destruiu a cidade, matou 40% da sua população e acabou com suas edificações coloniais, motivo pelo qual a cidade foi reconstruida  tomando-se todas as precauções possíveis para proteger seus habitantes. Mesmo assim, em 1985 a cidade sofreu outro terremoto de fortes proporções deixando milhares de pessoas desabrigadas e alguns mortos. Desde então, tudo tem sido tranquilo por aqui e, espero que continue sempre assim. Apesar de tudo isso eu continuo afirmando que visitar ou morar em Mendoza é um risco que vale a pena pois, ela é uma cidade encantadora, apesar de não ter a vida cultural e boêmia de Buneos Aires ou o charme da Patagônia.
                             
                                               
Contratamos todas as nossas excursões, assim como também o hotel, em uma agência de turismo que fica no terminal rodoviário chamada Estacion del Sol (http://www.turismoestacion.com.ar/ ) e  em nosso primeiro dia, resolvemos fazer um city tour, já que Mendoza é uma cidade enorme. Pagamos pelo passeio, 40 pesos por pessoa, totalizando 80 pesos para o casal. A van nos pegou no hotel às 14h e retornamos por volta das 19h mas essa, decididamente, não foi uma boa experiência....A guia  falava em espanhol e inglês mas, tinha péssima dicção, falava rápido, muito baixo e como se não bastasse, ainda dirgia-se quase que exclusivamente a um casal de norte americanos, deixando todo o restante do pessoal de lado. Foi bom conhecer um pouco de Mendoza e sua história mas, ficamos com a sensação de que por conta própria chegaríamos ao mesmo resultado.
                                  
                                  
Dentre os muitos lugares que visitamos fomos ao Cerro da Glória, de onde tivemos uma vista panorâmica da cidade e local onde tem um dos maiores monumentos que vimos em homenagem ao grande libertador da Argentina, o General San Martín, que hoje empresta seu nome às principais ruas e avenidas de muitas cidades do país.
                                                     
                                 
Amei  de paixão essa cidade linda e, a minha recomendação é que você não deixe de incluí-la em seu roteiro, quando for à Argentina, especialmente se você for amante de um bom vinho, assim como eu.
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